Alguém me escreveu um comentário em que elogiava a minha "Coragem" de dizer o que penso. Não é coragem, não tenho nada a perder dizendo o que penso. Felizmente estamos num país livre. Longe vai o tempo em que os artistas se criticavam, saudavelmente, uns aos outros. Estou-me a lembrar num diálogo dos "Maias" de Eça de Queiroz em que duas personagens discutiam sobre a o Realismo (ou Naturalismo, não me recordo bem) e o Romantismo.
Hoje em dia somos uns Cínicos. Todos entram numa exposição e todos dão os parabéns ao artista e dizem que gostaram muito. Depois, alguns, saem da galeria e dizem "que grande merda". Isto é uma coisa normal? É vulgar, mas não é normal. Nem é normal o outro reles abstraccionista ter-me declarado "guerra" por alguns amigos dele terem recebido convites meus.
Alguém que está a ler isto já deve ter pensado: "Estás a perder muito, por andares a escrever (e falar) assim!". E eu respondo que talvez esteja a perder algumas coisas, que alguns pintores criem inimizades comigo, que galerias não me aceitem porque têm com o"Jóia da coroa" artistas abstraccionistas. Mas também ganho muito, não estou a ceder a interesses, sejam económicos ou estéticos, mantenho-me fiel à "arte pela arte", sinto que o meu trabalho é algo de "genuíno" no sentido em que não estou a seguir o gosto de ninguém. Posso ser odiado ou amado, mas isso tudo faz parte da vida. Todos devemos dizer o que sentimos. Não custa nada. A nossa sociedade já é tão impessoal e fria, que se nos seguirmos pelos gostos ou modas impostos pelos outros deixamos de ser verdadeiros! Estamos a mentir a nós próprios! A arte precisa de "Verdade", ela é a alma do ser Humano. Ao contrário do que se diz, NÓS PRECISAMOS DE ARTE PARA VIVER!
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